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Dos representantes da cooperação corporativa internacional GM/PSA

ligado .

Boletim de notícias internacional GM-PSA

N.º 4 – Fevereiro/2014

Caros colegas e amigos,

recebam aqui informações atualizadas de nossa cooperação corporativa internacional na General Motors e PSA:

1. A GM, em São José dos Campos (Brasil), demitiu 500 colegas em dezembro de 2013.

Neste período, os empregados não estavam trabalhando em virtude de uma longa pausa da produção. As cartas de demissão foram enviadas aos colegas diretamente para suas residências. Nossos amigos do sindicato dos[AD1]  metalúrgicos de São José dos Campos informaram imediatamente todos os contatos internacionais (a informação foi traduzida para o inglês pelos amigos em Detroit e para o alemão pelo Solidariedade Internacional - ambas as traduções encontram-se na homepage: www.iaar.de). Os amigos do Brasil relatam:

"durante todo o ano, centenas de postos de trabalho na indústria em São Jose dos Campos foram fechados. O PDV (programa de demissão voluntária) foi aderido por 304 trabalhadores. De abril de 2012 a julho de 2013, 1500 postos de trabalho na indústria foram fechados.
Desde 2012, o sindicato tem realizado uma grande campanha, a fim de defender os postos de trabalho na GM, com manifestações dos trabalhadores e a reivindicação ao governo federal, que a presidente Dilma Rousseff impeça os planos de demissão da fabricante de automóveis.
Nós requeremos a intervenção da presidente Dilma no caso porque a GM foi uma das principais beneficiadas pela diminuição de impostos pelo governo, como a redução do IPI (imposto sobre a produção da indústria), um imposto federal. A companhia não pode usar tais privilégios e demitir centenas de trabalhadores. “

Os empregados organizaram o movimento de resistência com ações de protesto e uma manifestação no dia 20 de janeiro, o primeiro dia de trabalho após a pausa da produção. Os amigos apelaram por solidariedade internacional. As primeiras declarações de solidariedade vieram da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) na Espanha, dos Estados Unidos e da Alemanha.

2. Durante o Salão do Automóvel em Detroit (EUA), no meio de janeiro, os colegas da “ caravana dos trabalhadores da indústria automotiva“ organizaramuma demonstração junto com outras organizações. Eles protestaram contra o plano de demissão mundial da GM, contra o “pagamento em dois níveis“ (2-tier-wage) nos Estados Unidos e a favor de uma remodelação da indústria automotiva ambientalmente sustentável. Na crise economia mundial e na crise financeira, foi definido nos Estados Unidos para os trabalhadores recém-contratados um salário que equivale a metade dos salários atuais. Nas fotos da demonstração pode-se ver, entre outras, a seguinte placa: "O 1% tem dois níveis também: os milionários e os bilionários”. Durante a demonstração foi estabelecida também uma relação entre a falência da GM às custas dos trabalhadores e a falência de Detroit às custas dos empregados estaduais e dos pensionistas. A reivindicação era: "Cancelem a dívida de Detroit - Façam os banco pagarem!"

3. Na reunião informativa dos empregados da OPEL com seus representantes, no dia 9 de dezembro de 2013, em Bochum (Alemanha),ocorreuum importante avanço. Em negociações secretas entre a cúpula do conselho da empresa, IG Metall e OPEL, em novembro, foram assinados os pontos de um acordo coletivo social e com ele o encerramento da fábrica. Durante o evento informativo na fábrica, em 20 de novembro, a antipatia dos colegas já havia sido então dirigida contra essas negociações. Na reunião com os empregados em 9/12, a maioria do conselho da empresa tentou defender sua capitulação aberta e sua traição aos trabalhadores, e por pedido da direção da fábrica, tentou ainda dividir os funcionários através de ataques abertos e uma agressiva agitação anticomunista contra os colegas argumentadores e batalhadores. Isso resultou numa recusa unânime dos empregados e não moveram mais um dedo para aplaudir. A difamação anticomunista foi atacada e contornada convincentemente. Isso acelerou entre os funcionários o processo de desvinculação dos representantes reformistas (de esquerda) e deslocou a relação de poder em benefício das forças argumentadoras e batalhadoras. Assim melhoraram os requisitos para o desencadeamento de uma greve independente.

Há uma discussão política e legal sobre o documento com pontos do acordo coletivo social. O presidente dos representantes afirmou que não sabe da existência desse documento, porém concordou com os pontos do acordo! Por isso, a representante da “Offensiv“, Annegret Gärtner-Leyman, entrou com uma ação de publicação. Agora percebe-se que diferentes pontos ainda não foram esclarecidos, bem como o acordo inteiro não tem efeito jurídico. Essa é também o motivo pelo qual a gerência, IG Metall e a cúpula dos representantes tentam agora ganhar tempo outra vez, por terem medo de uma discussão aberta com o pessoal.

A forte repressão e o 'mobbing' contra as forças batalhadoras e revolucionárias são o exemplo da posição defensiva da Opel e dos reformistas. Contra esse ataques, meios políticos e jurídicos tem sido preferencialmente utilizados e diferentes conquistas já puderam ser obtidas.

A polêmica lista de representantes da "Offensiv" (iniciativa por um conselho sindical batalhador) publicou em dezembro um folheto com o título "Ainda não é tarde demais!". No momento, ainda não há planos de uma tradução, mas o folheto pode ser consultado em alemão, através de Fritz Hofmann.

Em Eisenach e Rüsselsheim, os colegas devem reconhecer que a GM e a Opel viraram as costas para os compromissos, com os quais elas chantagearam os funcionários para fechar um acordo. Isso é terreno fértil para uma luta em comum.

O círculo de solidariedade para a luta do trabalhadores da Opel pagou em outubro os primeiros benefícios de greve aos colegas do turno noturno em três datas e assim comprovou sua força. A doação atual soma aproximadamente 35.000Euros.

Informamos no último relatório que o comitê feminino de [AD2] trabalhadores da Opel – Basta! – executou uma excelente ação de protesto em frente ao estande da Opel no Salão Internacional do Automóvel em Frankfurt/Main, realizada em 19 de setembro. Adicionalmente, indicamos o vídeo que pode ser encontrado no endereço: http://www.youtube.com/watch?v=hOf7oeFMtDw.

4. Na Austrália a GM informou que sua fábrica Holden, em Adelaide, será fechada em 2017. Isso representaria uma perda de 3.000 postos de trabalho diretos na Holden e muitos outros junto aos fornecedores. Ford já havia declarado anteriormente o encerramento de sua fábrica na Austrália em 2015. Ambas as fábricas querem jogar a culpa para cima dos trabalhadores: "Custos muito elevados!“ Em julho, 400 colegas fizeram acordos de demissão. Em agosto, a GM chantageou os trabalhadores numa votação para fazer concessões salariais, a fim de implantar o próximo modelo. Todas estas concessões foram em vão, como foi já o caso anteriormente em todos os países: Renúncia salarial nunca preserva postos de trabalho! É necessário lutar por cada posto de trabalho. Na fábrica de motores Port Melbourne, que entre outras produz motores para a África do Sul, foi realizada em novembro uma greve independente de 200 trabalhadores. Nessa fábrica, as demissões já começaram.

Nosso amigo na Austrália, Richard Stone, tem mantido contato e nos informa sobre os constantes avanços. Desejamos muito sucesso na luta por cada posto de trabalho!

5. Na fábrica PSA Aulnay (França), saiu o último carro da linha de montagem em novembro: um Citroen prata C3. Se a fábrica for fechada ao longo do ano 2014, será a primeira fábrica de automóveis a ser encerrada[AD3]  na França nos últimos 20 anos. De janeiro a maio de 2013, os empregados lutaram contra o encerramento com uma greve. Como informa a CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) Aulnay em seu boletim informativo, a prometida reposição de postos de trabalho tem se revelado uma ilusão. Dos 300 postos de trabalho prometidos na linha de montagem, somente 20 foram ocupados por colegas.

Ao todo, a PSA ameaça encerrar 11.200 postos de trabalho até maio de 2014 e chantageia o sindicato a fazer concessões sob essa ameaça. Dos seis sindicatos junto a PSA, a CGT e a CFDT (Confederação Francesa Democrática do Trabalho) rejeitaram por pressão da base o conhecido "Acordo Antissocial". Houve uma série de protestos contra o "congelamento" de salários e a ampliação da "flexibilidade" com a inserção de mais turnos aos sábados. Agora a luta segue contra à implementação desse plano e contra demissões adicionais. A produção de carros da OPEL também pode ser atingida. No futuro, o modelo Zafira deverá ser produzido em Sochaux, onde a CGT mobiliza para a luta contra os planos, assim como em outras fábricas.

É necessário divulgar mundialmente, da Austrália até o Brasil, passando pela Coreia e França, a lição que não se deve negociar com chantagistas e que nós temos que nos unir ainda mais para uma luta conjunta nos países. Pois sozinho, mal se pode ganhar lutas desse tipo. Essa é a lição central de Aulnay.

6. Na fábrica Halol da GM no estado indiano de Gujarat, aconteceram protestos de vários dias em janeiro. Um terço [AD4] dos 1.500 trabalhadores é trabalhador temporário, que em parte já trabalha lá há 10 anos, mas que, ao contrário de muitas promessas, não foi contratados como trabalhador fixo.

7. Chegaram até nós perguntas sobre a participação na Conferência Labor Notes em abril, em Chicago (Estados Unidos). Segundo últimas informações, amigos do Brasil estarão lá. Esperamos que também os amigos dos Estados Unidos participem e que juntos divulguem por lá a Conferência Internacional do Trabalhador da Indústria Automotiva. Prevê-se que da Europa nossos amigos da Espanha e da Alemanha não possam participar.

8. Está planejada uma viagem dos representantes do grupo de coordenação internacional para a Ásia, assim como a participação no ISA em Manila (Filipinas). O ISA (Assuntos de Solidariedade Internacional) é organizado pelo KMU (Movimento Trabalhista Primeiro de Maio), um sindicato filipino, que há muito tempo pertence ao quadro de participantes ativos do Conselho Internacional dos Trabalhadores da Indústria Automobilística Lá deverá ser recrutado também participantes para a Conferência Internacional dos Trabalhadores da Indústria Automobilística, particularmente aqueles vindos da Ásia e da Austrália.

Para a troca de informação dos passos para a preparação da Conferência Internacional dos Trabalhadores da Indústria Automobilística 2015, gostaríamos de indicar a homepage da Conferência: www.iaar.de

Feedback e informações deverão ser solicitados novamente a

Frank Hammer (Estados Unidos)

Mancha (Brasil)

Fritz Hofmann (Alemanha)


 [AD1]O sindicato não é metalúrgico. O que é metalúrgico são os trabalhadores. Por isso é necessário incluir ‚dos’ e deixar metalúrgicos no plural mesmo.

 [AD2]O comitê não é formado apenas por esposas, companheiras, mas também por outras mulheres que apoiam a luta dos trabalhadores da Opel. A palavra ‚mulheres’ deixa de fora as cunhadas e trabalhadorAs da Opel e segundo consta elas também fazem parte do comitê. O uso da palavra ‚feminino’ é mais abrangente neste caso.

 [AD3]Em geral, utiliza-se no Português, variante brasileira, ‚encerrar uma atividade’ e ‚fechar alguma coisa’. De qualquer forma, encerrada porque se refere à fábrica.

 [AD4]Concordância verbal com fracionários – um terço, dois quintos, três quartos, etc – é feita sempre com o numerador da fração. Aqui no texto o numerador é 1 e por isso a concordância deve sser feita no singular.